de Luis Horta

…”Fui conhecer a Parrilla Argentina, sugestão do meu amigo argentino (sim, eles existem) Rubén Duarte. Seria melhor dizer: viajei até lá. Não faço a menor ideia de onde estive, longe, mas parecia Buenos Aires. Talvez fosse mesmo.

Só por ter boas achuras, chinchulines deliciosos e mollejas de levantar o espírito, já teria valido o passeio. Mas a carta de vinhos, grande, completa, detalhada e o amável serviço de rolha (zero reais a primeira garrafa, 25 no caso de uma segunda) justificou ainda mais o deslocamento.

A carta surpreende por várias coisas. Ela é toda sul americana, muito bem elaborada. Há, por exemplo, quatro Petit Verdot, inclusive o excelente Nina das Bodegas San Humberto de La Rioja, Argentina. Há três Cabernet Franc. Tem safras antigas de vinhos ícones, como um 1993 de Bodegas Weinert (a um preço impágavel, mas isto é outra história) e todos os melhores Tannats uruguaios,o Axis Mundi da Pisano no topo, Cabernets chilenos e Malbecs. A ampla escolha de preço e regiões permite escapar da obrigação de tomar um Alamos, o vinho que segura contra os preços extorsivos.

Muito boa a Parrilla. Falta que abram uma filial Higienópolis, para os portenhos nostálgicos que não dirigem, como eu.

[Em tempo: os vinhos bebidos foram um Bordeaux corretinho, Le Crock, Saint Estéphè, Cru Bourgeois, com toda aquela bordozice no nariz, toque de brett incluído e um argentino que se sentiu em casa, daí ter sido muito melhor que o Bordeaux.
O Viña Alicia Cabernet Sauvignon, vinhedo Morena, 2006. Era potente, mas muito elegante, quase mastigável, carnudo. Belo amigo para o bife de chorizo. Continuo achando Cabernet mais expressivo que Malbec, mas entendo a vitória da Malbec como uva emblema. Pena que minha tese de que mollejas combinam com Riesling não tenha sido testada. Só na hora da sobremesa o garçom trouxe outro cardápio, de vinhos doces, e lá tinha o Selbach Auslese. Se tivesse visto no começo teria sido ele a acompanhar a doçura da gordura dos míudos e do choriço de sangue da entrada. Próxima vez…”

Luiz Horta, escreve no caderno Paladar, do jornal O Estado de São Paulo, jornalista, gastronômico, exímio conhecedor de vinhos, amigo, morou em Buenos Aires, onde teve oportunidade de conhecer de perto a evolução dos vinhos daquele canto do Mundo e incorporou um defeito irrecuperável: é torcedor de Ríver Plate

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